Educação, Equidade e Saúde

Realidade da diversidade no Brasil e o papel do professor como agente multiplicador de ideias

Atualmente, o Brasil dispõe de várias iniciativas que visam a prevenção da violência entre jovens e adolescentes (MINAYO, 2012); no entanto, as ações voltadas para este problema ainda são incipientes e não repercutem efetivamente nesta população. É necessário adotar políticas públicas capazes de combater e superar as desigualdades geográficas, sociais e étnicas do país e celebrar a riqueza de sua diversidade (UNICEF, 2017).

No Brasil, os homicídios de adolescentes representam a mais trágica das violações de direitos que atingem a todos os gêneros. Em geral, as vítimas tem cor, classe social e endereço. São negros(as), pobres, que vivem nas periferias e áreas metropolitanas das grandes cidades. De acordo com o Datasus (2013), a taxa de homicídio entre adolescentes negros(as) (36,9 por 100 mil habitantes) é quase quatro vezes maior do que aquela entre os brancos (9,6 por 100 mil habitantes).

Entre os adolescentes que morrem no país, 36,5% são assassinados. Em relação à população brasileira, o percentual foi de 4,8% (Índice de Homicídios na Adolescência, 2015). Segundo a UNICEF (2014), o Brasil figura em segundo lugar no ranking dos países com o maior número de assassinatos até 19 anos de idade, atrás apenas da Nigéria (Hidden in Plain Sight, UNICEF, 2014).

Já a gravidez na adolescência preocupa ainda mais quando se mostra associada a precárias condições de vida, família numerosa, difícil acesso aos serviços e bens de consumo, o que só leva ao agravamento desta situação. Nem sempre durante todo o período gestacional, as adolescentes recebem assistência pré-natal adequada e de forma regular. São vários os fatores: vão desde a dificuldade de reconhecimento e aceitação da gravidez, pois muitas vezes essas jovens defrontam com sentimentos de dor e medo, até à dificuldade para o agendamento da consulta inicial do pré-natal (YAZLLE, 2006).

Embora nas quatro últimas décadas tenha sido registrado um decréscimo acentuado na taxa de fecundidade das mulheres brasileiras (em 1940, a média nacional era de 6,2 filhos e, em 2010, passa a ser de 1,8 filhos por mulher), entre as adolescentes e jovens, o sentido foi inverso. Identificou-se o aumento em 25% da taxa de fecundidade entre meninas de 15 a 19 anos, durante os anos 90, (IBGE, 2010; UNESCO, 2004), assim como associação entre gravidez na adolescência e evasão escolar.

Segundo o IBGE (2015) as principais características das jovens entre 15 a 19 anos que tinham pelo menos um filho nascido vivo são:

[...] residentes da Região Nordeste, 65,9% tinha 18 ou 19 anos de idade, 69,0% eram pretas ou pardas, somente 37,1% estavam na condição de filha na unidade domiciliar e 34,2% estavam na condição de cônjuge, a escolaridade foi de 7,7 anos de estudo em média, sendo que somente 20,1% ainda estavam estudando e 59,7% não estudavam e não trabalhavam na semana de referência, 92,5% delas cuidavam de afazeres domésticos por uma média de 27,1 horas semanais (IBGE, 2015 p.17).

Dados que reforçam a importância deste projeto de extensão frente às desigualdades, sobretudo, de gênero, geográficas e étnicas.

Com relação ao crescimento do número de adolescentes infectados pelo HIV, o Ministério da Saúde, destaca que entre 2004 e 2013, o número de novos casos em meninos com idades entre 15 e 19 anos aumentou em 53% (Ministério da Saúde, Boletim Epidemiológico, 2014).

É nesse sentido que este projeto leva em consideração a abrangência de sua realização junto a esses sujeitos vinculados à educação, proporcionando a ampliação e consolidação das políticas de promoção de equidade em saúde, desenvolvidas pelo Ministério da Saúde,favorecendo a promoção da saúde integral desses adolescentes e jovens.

O papel do professor neste contexto, representa um importante elo para a promoção da saúde, por ser um multiplicador de ideias. Para tanto, é fundamental que esteja capacitado para abordar o conceito de saúde preconizado e contribuir para despertar nos adolescentes e jovens aptidões e atitudes para a saúde, promovendo a autonomia, a criatividade e a participação dos alunos, bem como, de toda comunidade (MONT’ALVERNE & CATRIB, 2013).


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