Educação, Equidade e Saúde

Álcool, tabaco e outras drogas

Para a Organização Mundial da Saúde, podem ser consideradas drogas as substâncias naturais ou sintéticas com capacidade de modificar uma ou mais funções do organismo . As alterações dependem das características de composição da droga, formas de uso,  quantidades e tempo e também das características de quem utiliza, pois a mesma droga pode provocar diferentes efeitos em cada indivíduo.

Os tipos e efeitos são os mais variados, desde as lícitas como medicamentos para dormir ou emagrecer, álcool e tabaco, até as ilícitas como a maconha, cocaína, crack, ecstasy, entre outras.

Os efeitos podem ser:

  • Estimulantes do sistema nervoso central podendo causar a sensação de euforia, aumento da pressão e da frequência cardíaca, descontrole emocional e perda da noção da realidade. São exemplos a cocaína e o crack.
  • Depressoras do sistema nervoso central, podem levar ao relaxamento muscular, perda de reflexos, sonolência, maior resistência à dor, diminuição da capacidade para dirigir e da capacidade de aprendizagem na escola e rentabilidade no trabalho. São exemplos o álcool, a maconha e medicamentos para dormir.
  • Alucinógenas: causam distorções de audição, visão, tato, paladar e olfato, alucinações / ilusões, delírios e paranóia. São exemplos o ecstasy e o LSD.

As drogas fazem parte da história da humanidade, sendo consumidas em busca de prazer, socialização, alívio de dores e da ansiedade e outras alterações do nível de consciência. Passam a ser motivo de preocupação e um problema de saúde pública devido aos riscos que oferecem à saúde, e da associação à problemas sociais.

Na adolescência, uma época da vida de experimentações e transformações, o consumo é  especialmente preocupante, pois estão em busca da autonomia e não aceitam bem recomendações.

Podem fazer uso de drogas atrás de aceitação no seu meio, bem estar, desinibição, busca de identidade e autonomia, curiosidade, experimentação de novas sensações, ou também como alívio de sofrimentos e fuga de uma realidade adversa. A dependência química e social é um risco e pode prejudicar o desenvolvimento de jovens causando danos ao seu potencial intelectual, emocional e social.

Apesar da preocupação e abordagem em torno das drogas ilícitas, de acordo com a pesquisa Nacional de Saúde Escolar - PeNSE, as drogas mais consumidas entre adolescentes são o álcool e o tabaco (IBGE, 2015).

  • 55,5% das/dos escolares do 9º ano do ensino fundamental afirmaram já terem experimentado pelo menos uma dose de bebida alcoólica, sendo que 54,8% dos meninos e 56,1% das meninas responderam positivamente.
  • 18,4%, entre os escolares do 9º ano do ensino fundamental afirmaram já terem feito uso, sendo 19,4% entre os meninos e 17,4% entre as meninas.

O ambiente familiar e a convivência com amigos são influências marcantes para a experimentação de álcool e cigarro.

A desinibição é um  efeito do álcool no organismo, podendo encorajar o indivíduo a ter comportamentos que, caso sóbrio, não teria. O consumo de álcool pode estar associado a outras condutas de risco, como tabagismo, uso de drogas ilícitas, sexo desprotegido, acidentes de trânsito, homicídios e suicídios.

A experimentação de substâncias pode levar ao uso abusivo ou vício, que comprometem a saúde e as relações interpessoais. É na adolescência que se encontra o grupo de maior risco para a iniciação ao tabagismo.

O consumo de drogas está relacionado ao surgimento de doenças crônicas como a hipertensão, o diabetes, câncer e outras doenças do sistema respiratório e circulatório.

Para prevenção ao uso de álcool e outras drogas, é importante considerar o tripé – indivíduo-substância-contexto social, político e econômico, com os objetivos de:

  • Conscientização dos prejuízos causados pelo uso;
  • Retardar a idade de início do uso quando este não puder ser evitado;
  • Reduzir os riscos e os danos relacionados ao uso;
  • Evitar a transição para um uso problemático.

Deve ser estabelecido um canal de comunicação com as/os estudantes, a fim de criar uma relação de confiança e respeito, evitando julgamento moral ou culpabilização. A escola e os serviços de saúde devem buscar maior aproximação com o universo desses grupos de jovens a fim de compreender, a partir do olhar deles e delas, a complexidade do fenômeno que é uso de drogas. As estratégias utilizadas devem envolver o/a adolescente, a família e a sociedade, buscando minimizar os fatores de risco e maximizar os fatores de proteção.


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